PUC-SP amplia ações com a maior organização de estudantes de Medicina do mundo
A formação médica busca, cada vez mais, conciliar excelência técnica e compromisso social. Nesse cenário, a IFMSA (International Federation of Medical Students’ Associations), organização que reúne estudantes de Medicina de diversos países, tem se consolidado como referência ao tornar realidade iniciativas acadêmicas em projetos de impacto comunitário. Em Sorocaba, a federação atua por meio do núcleo IFMSA Brazil PUC-SP, atualmente presidido por Eduarda Caroline Bueno Paro, aluna do 3º ano da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS).
A IFMSA é descrita por seus integrantes como uma ponte entre a sala de aula e os desafios reais da saúde pública. “Quando eu ainda era primeiranista, a IFMSA já havia despertado minha atenção, por causa das suas diferentes áreas de abrangência dentro da mesma instituição”, relata Eduarda. Entre os atrativos, ela cita a possibilidade de intercâmbios nacionais e internacionais, um dos eixos mais conhecidos da rede.
Da curiosidade à liderança local
O caminho de Eduarda até a presidência local passou pelo eixo científico. Em 2025, ela assumiu o cargo de LPR-D (Diretora Local de Publicação, Pesquisa e Extensão), função ligada à produção acadêmica e à integração entre pesquisa e ações de extensão. “Quando abriram as inscrições, infelizmente, a diretoria de intercâmbios já havia sido ocupada, então, escolhi seguir pelo eixo científico”, relembra.

Um lema, um método
Para 2025/2026, a palavra de ordem é o lema histórico da organização: Think Global, Act Local (“Pense globalmente e atue localmente”, em tradução livre). Na prática, a estratégia é direcionar esforços a problemas que aparecem no mundo todo, mas se expressam de modo particular no território.
“Tendo isso em vista, nossa gestão tem como propósito realizar atividades com a comunidade local de Sorocaba, em escolas públicas, hospitais, entidades da prefeitura e até mesmo a própria Universidade, visando solucionar problemas globais que, eventualmente, acometam nossa região”, diz Eduarda.
A proposta da IFMSA Brazil PUC-SP é ampla e tem como foco a atuação frente às vulnerabilidades mais expostas e onde a informação em saúde – quando bem aplicada – pode prevenir agravos, reduzir desigualdades e aproximar futuros médicos da realidade que encontrarão no sistema de saúde.
Agenda envolve saúde, educação e inclusão
O calendário anunciado pela IFMSA Brazil PUC-SP para este ano combina campanhas solidárias, ações educativas e formação complementar. Entre as iniciativas previstas, estão:
- arrecadação de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade social;
- “Hospital dos Ursinhos” com alunos de escola pública (atividade lúdica voltada a reduzir medo e ansiedade relacionados ao ambiente hospitalar e à figura do profissional de saúde);
- café da manhã solidário;
- palestras sobre tuberculose e pneumonia direcionadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social;
- curso de Libras para acadêmicos de Medicina, ampliando acessibilidade no cuidado;
- recepção continuada para calouros que ingressam tardiamente;
- aula de imagem, tour científico e outras atividades formativas.
Quem quiser acompanhar as ações realizadas e as que estão por acontecer pode seguir a entidade em seu perfil oficial no Instagram: @ifmsabrazil_pucsp.
Uma rede global e uma história brasileira
A capilaridade da IFMSA ajuda a explicar por que ela se tornou, ao longo das décadas, uma referência para estudantes que buscam protagonismo. Segundo Eduarda, a federação é “a maior organização estudantil do planeta”, reunindo mais de um milhão de estudantes de Medicina em 129 países.
Por aqui, a filiação é antiga: a IFMSA Brazil foi fundada em 1991, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), e se consolidou como a primeira associação filiada à IFMSA na América Latina. Hoje, está presente em mais de 200 escolas médicas, com atuação em frentes que vão desde humanização e promoção de saúde a educação médica, intercâmbios, representatividade estudantil e treinamentos.
Por que isso importa?
No cotidiano acadêmico, ligas e projetos de extensão frequentemente se multiplicam – mas nem sempre conseguem manter continuidade, governança e escala. A promessa de uma rede como a IFMSA é justamente a combinação entre estrutura organizacional, formação de lideranças e impacto social, com base em metodologias replicáveis e troca de experiências com outras escolas médicas.
Ao assumir a presidência local, Eduarda aposta nessa convergência. A agenda anunciada para Sorocaba, ao mirar públicos vulneráveis e temas sensíveis (como saúde respiratória, dignidade menstrual e acessibilidade), sugere uma tentativa de fazer a formação médica dialogar com urgências do território – sem perder a conexão com debates globais em saúde.



