Pucalhaços amplia capacitações e solidifica a humanização nos cursos de Medicina e Enfermagem
Na rotina intensa de hospitais e atendimentos, ações de acolhimento e bem-estar ajudam a transformar a experiência de pacientes e acompanhantes – e também impactam a formação de futuros profissionais da saúde. Esta é uma das ideias por trás do Pucalhaços, criado em 2009, por iniciativa da professora Dirce Setsuko Tacahashi. O programa reúne estudantes de Medicina e Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP para levar palhaçaria e acolhimento a pacientes em ambientes de assistência à saúde e a pessoas atendidas por ONGs.
À frente da gestão atual do Pucalhaços está a estudante Maria Angélica Bernardini Roberto, do terceiro ano de Medicina. “Na mais recente abertura de vagas, incorporamos cerca de 30 novos voluntários. Iniciamos este ano focados em organizar a agenda de intervenções e fortalecer a rede de apoio”, declara.
Segundo ela, o Pucalhaços manteve em 2025 um calendário dividido entre visitas internas a hospitais e visitas externas a instituições e projetos parceiros. “O grupo também participou de campanhas de arrecadação, convertendo recursos em doações distribuídas em datas como a Páscoa, quando foram entregues ovos de chocolate, e em ações voltadas ao Dia das Crianças e ao Natal, com brinquedos”, relata.
De acordo com Maria Angélica, neste começo de ano, a prioridade tem sido “acertar as turmas de capacitações, as buscas de patrocínio e as visitas, visando retomar as atividades com a corda toda”.
Formação além da técnica
A estudante afirma que a experiência no Pucalhaços tem impacto direto na formação de alunos da área da saúde, incluindo Medicina e Enfermagem, por trabalhar habilidades associadas à humanização do atendimento. “Durante a capacitação, buscamos, além de capacitar o aluno para a palhaçaria, expor e trabalhar seus pontos positivos e negativos”, detalha. Ela acrescenta que o treinamento reforça elementos que dialogam com a prática clínica.
Na avaliação de Maria Angélica, a atuação com palhaçaria altera a forma como o futuro profissional da Medicina ou Enfermagem se relaciona com o paciente. “Isto nos humaniza enquanto profissionais, fazendo com que enxerguemos o paciente para além da doença”, diz. Ela contextualiza que esse tipo de abordagem tende a fortalecer o vínculo entre equipe de saúde e paciente – e, com isso, aumentar a confiança, a adesão ao tratamento e o bem-estar durante o cuidado.
Ao comparar o cenário geral do ensino médico com o que vê no projeto, Maria Angélica sustenta que iniciativas como o Pucalhaços ajudam a preencher lacunas. “Em uma sociedade na qual o ensino médico está defasado de profissionais verdadeiramente humanos, o Pucalhaços surge para complementar a formação”, pontua, destacando que a PUC-SP já carrega uma cultura formativa voltada ao acolhimento.
“Válvula de escape” e redescoberta pessoal
A motivação para ingressar no projeto veio antes mesmo de Maria Angélica entrar na universidade. Ela relembra que, ao conhecer a cartilha do curso e os projetos disponíveis, já havia escolhido o Pucalhaços. “E ele já havia me escolhido de volta”, compartilha.
Na rotina intensa de um curso da área da saúde, ela descreve o projeto como uma espécie de intervalo simbólico, sem romper com a responsabilidade que acompanha o cuidado. “É o momento em que deixamos de lado nossa face médica e passamos a exercer a face da palhaçaria”, frisa, associando a experiência a uma “liberdade poética” e a um olhar diferente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade.
No plano pessoal, a estudante relata que a capacitação em palhaçaria teve um efeito de “redescobrimento de si” e de olhar, novamente, para sua criança interior. Ela completa: “O Pucalhaços atua como um processo terapêutico”, pois permite que o participante encare qualidades, defeitos e experiências e as integre à própria vivência “enquanto palhacinho”.
Busca por visibilidade e sustentação
Apesar de não ser um projeto recente, a gestão atual considera que o Pucalhaços ainda é menos conhecido do que outras iniciativas dentro da faculdade. A meta, agora, é aumentar a visibilidade do grupo na FCMS e, “quem sabe”, em toda a PUC-SP. “Gostaríamos que o Pucalhaços fosse mais visto e reconhecido”, descreve a presidente.
Na avaliação dela, maior reconhecimento pode se traduzir em apoio mais estável – fator que influencia desde a organização interna até a captação de patrocínios e a manutenção das ações. “Contaríamos com uma maior assistência e suporte de toda uma comunidade, o que facilitaria a manutenção do projeto”, analisa.




